A ORIGEM DA IDÉIA:
O agitador cultural Fernando Monção reservara há algum tempo um valioso espaço no cardápio de seu delivery “Rango do Compadre” solicitando a seus clientes e parceiros midiáticos, a doação de livros para serem disponibilizados à sedenta população da cidade de Valença-RJ. Distribuído gratuitamente em toda a cidade, o cardápio tem a função de promover a empresa e seus seletos parceiros.
O sucesso do “Rango do Compadre” permitiu que a idéia tivesse muito boa aceitação, levando o entusiasmado Fernando a pesquisar sobre projetos paralelos na internet. Logo se deparou com o “ Livro Errante” da Sra. Regina Porto, de Recife-PE que divulga a idéia de se “esquecer” um livro em um local público, para que outras pessoas possam lê-lo e posteriormente “esquecer” em outro local.
Com o auxilio da comunidade virtual, as doações foram significativamente impulsionadas por doadores de todo o pais, surgindo assim, um acervo de mais de 4.000 exemplares que continuam a chegar incessantemente.
Comentando a empreitada em uma conversa informal e ao sabor de um café da serra com o recém-formado em Arquitetura e Urbanismo Germano Brito, surgiu uma conjunção de idéias que fez com o que já havia função, tomasse definitivamente uma forma.
E assim, a partir de uma idéia despretensiosa, temos a proposta de um projeto sonhador.
A IDÉIA:
Sob este sol vigoroso do alto da serra fluminense, brota uma idéia, uma vontade, um desejo altruísta de compartilhar um bem inesurpável que tende a ser o mais saudável dos vícios. Inserir a população em uma nova era de esclarecimento e fomentar ramificações duradouras que caracterizem em um futuro breve a cidade de Valença em um pólo emanador de cultura na região.
Sem sombra de dúvida que a iniciativa despertou a sensibilidade dos entusiastas da cultura que se envolveram incondicional e solidariamente com o projeto. Pessoas dispostas a doar o que dispõem em mãos para a materialização de uma utopia. Que compartilham o mesmo senso de que a cultura deve ser democratizada e incentivada. Cientes de que a educação de qualidade em nosso país é cara e restrita, e que marginaliza a maioria dos cidadãos brasileiros.
Num país onde as principais fontes de educação provêm de doses diárias de poderosos raios catódicos que instituem a filosofia do pensamento único e restringe a capacidade de raciocínio e os prazeres da introspecção, fazem-se mais do que necessário incentivar e pregar o poder libertador da leitura.
A onipotência da liberdade fruto do poder avassalador da verdade não respeita fronteiras do mundo físico nem tampouco do mundo mental. Transita fluida entre a lucidez onírica e a inebriante consciência, revelando um universo de realidades palpáveis e rompendo com axiomas utópicos.
Cultura é Liberdade, é a devoção do futuro que convidará os comensais a saírem da Caverna de Platão.
Só há um pecado: Ser Tolo!”
Oscar Wilde
Que se arrombem as fronteiras!
A PROPOSTA DO PROJETO:
O Projeto é uma idealização da iniciativa privada com apoio do Poder Público Municipal.
O Poder Público Municipal se encarregaria de ceder o local, iluminação noturna, segurança e principalmente a divulgação do projeto através das Secretarias de Cultura, Educação e de Turismo.
As empresas do município poderão se integrar como patrocinadoras, para cobrir custos como o de viabilização e instalação do equipamento, custos de envio de livros doados de outros municípios e na confecção de capas protetor/identificadoras dos exemplares. Além da divulgação publicitária nas encadernações, haverá espaço para marketing entorno do equipamento e em filipetas explicativas do projeto.
O espaço abrigará obras diversas e de estilo eclético, desde livros técnicos a romances clássicos. Estes, serão dispostos em estantes cobertas e protegidos das intempéries, onde não deverá haver paredes, e/ou funcionários, ficarão expostos e disponíveis para a população sem restrições e deverá ter grande atrativo visual. Serão encapados com material adesivo e diagramados pelo designer Alexandre Gemellaro, com objetivo de protegê-los, identificar sua origem do projeto, os direitos autorais, e ainda reservar um espaço de divulgação para os parceiros que apóiam a idéia.
O espaço deve ainda, permitir manifestações culturais, onde artistas/cidadãos poderão se expressar culturalmente, declamando poesias, contando histórias, pintando, apresentando uma peça, enfim, fazendo uso do espaço cívico de maneira civilizada.
O LOCAL:
Trata-se da Praça XV de Novembro (Jardim de Baixo), situada no Setor II do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico formado pela Praça XV de Novembro, Praça da Bandeira, Praça Padre Gomes Leal, Praça Balbina Fonseca, rua Coronel Leite Pinto e adjacências no centro da cidade. Considerada como bem tutelado para proteção da ambiência pelo Inepac.
Uma generosa praça de autoria de dos discípulos de Haussmann, o Francês Auguste Françoise Marie Glaziou, que fora convidado pelo imperador D. Pedro II para coordenar a Diretoria de Parques e Jardins da Casa Imperial. Adotou com maestria o emprego de plantas nativas em seu paisagismo, uma opção extremamente pertinente e influenciadora para a época, resultando em uma paisagem de beleza ímpar e convidativa a contemplação e percepção do espaço.
Ao adentrar na Praça pelo portão principal no sentido Noroeste-Sul, o visitante se depara com uma árvore quase solitária, podada e deficiente de galhos, sobre uma leve elevação de pouco mais de oitenta centímetros ao lado do lago que se encontra hoje vazio.
Foi exatamente esta árvore que atraiu a atenção para a implantação do projeto, não só pelo seu estado, mas por sua localização estratégica ao centro da praça, o que permitiria uma visualização imediata do equipamento.
O PROJETO
Selecionado o local e com uma idéia inquietante em mente, o projeto veio à luz em meio ao aroma da vegetação atlântica. Por se tratar de um sítio tombado, a instalação deveria ser intencionalmente efêmera, mas não poderia perder sua essência desejosa de resultados avassaladores e vitalícios.
Ciente de sua pequenez diante da história, o projeto pede humildemente a Glaziou, a licença arquitetônica para estabelecer ali, uma tentativa pretensiosamente prodigiosa.
De maneira que não venha a interferir ou agredir este extraordinário patrimônio de projeto urbanístico, esta iniciativa sui gêneris da Biblioteca Livro Sem Fronteiras, visa deliberada e exclusivamente, materializar o sonho da liberdade cultural e ser uma centelha da chama do intelecto popular. Sem que para isso venha a destoar agressivamente do entorno e do contexto.
Há de se reservar um espaço exclusivo para se esclarecer a história do conjunto urbano e paisagístico dentro do equipamento.
O projeto carrega consigo a ideologia e a concepção filosófica de que a arquitetura enquanto arte pressupõe que carrega em sou bojo um conteúdo, e quando esse carece de ser conhecido como neste caso, ela deve ser alvo de apreciação para que conseqüentemente desperte interesse por tão preciosa semente.
Buscou-se empregar uma metodologia projetual que se apresentasse de maneira sutil mas condizente com a proposta.A natureza ditou e sempre esteve presente desde o começo com a exigência do emprego do material com prerrogativas sócio-ambientais, sendo restrito o uso de madeira manejada de reflorestamento e certificada e com selo verde FSC, até idealização da morfologia espiralada do projeto.
Trata-se de uma forma orgânica e simples, onde a rampa com inclinação de 10% começa a sudoeste no setor de cota mais baixa e segue descrevendo uma espiral em direção à árvore para se encontrar com a biblioteca e os livros.
A biblioteca abraça a árvore como uma orgulhosa filha abraça a mãe num diálogo simbiótico entre cultura e natureza tendo suas folhas de celulose numa reciprocidade de adoração em busca de novos frutos.
O usuário-leitor desfrutará de uma exuberante vista convidativa a contemplação quando ali se encontrar, poderá usufruir tanto dos 37m² do piso térreo quanto dos 25m² da cobertura que será conectada verticalmente por meio de uma bela escada tipo Santos Dumont. A mesma cobertura também poderá ser usada para apresentações ou como mirante com sua majestosa vista para o jardim de Glaziou. Não haverá contato direto entre a estrutura e a árvore, a mesma fica ilesa enquanto ali estiver o equipamento pois sua estrutura se dará em torno da planta.
A cultura é flor, folhas e fruto da evolução natural do intelecto humano
Resulta em ramificação nas entranhas da mente e se enraíza na personalidade.
Germina biosferas onde antes só havia aridez mental.
É raiz e tronco estruturante da alma.
Os ventos da primavera hão de soprar e carregar o pólen que semeará flores sedentas por conteúdo.
Gerarão frutos mais humanos e sabedores de suas condições de sociabilidade.
Reconhecerão suas cidadanias e a importância do ser perante a vida
E terão consciência de sua insignificância perante o universo.
Germano Brito
5 Comments:
Oi,Fernando. Já o cumprimentei no orkut e deixo parabéns novamente!
Coloquei um post nos meus blogs sobre o Projeto e sobre a ida ao Programa do Jô. Espero que tragam bons resultados .
Sucesso!!!
Fernando o seu projeto é de extrema qualidade e deve estar deixando muita gente que vive levando vantagens em cima da cultura e na verdade não faz absolutamente nada por ela, com o rabo entre as pernas.
Abraços.
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Obrigado pela atenção, peço e espero que você participe.
Faça a diferença.
Amigo,
Estou começando um novo projeto de Blog que acredito possa ser mais profissional. Quero colocar o mundo dentro dele. O JORNAL AFOGANDO O GANSO, continua com as matérias críticas, debochadas, sarcásticas e tal.
Agora eu apresento o "AFOGANDO O GANSO PRESS"/ http://jafogandooganso.wordpress.com/
Será a oportunidade de mostrar as coisas lúdicas, que não estamos prestando mais atenção. Aquele lugar belíssimo, O bairro que tem história, a rua, o bar espetacular, a praça boa de sentar, os lugares de bons shows, a roda de samba, o chorinho, o fado, etc.
Depois se achegue, viu moços?
Abraços.
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